Resenha Cinéfila em cena.

24 de fevereiro de 2011 by

Não era sábado pra ir pra balada, também não era quinta pra fazer um cinema em casa, era sexta, 18, e quem se decidiu pela Cinéfila não se arrependeu, a balada cinematográfica era de longe distante de tudo que o resto da cidade poderia oferecer, não poderia começar melhor o fim daquela semana.

No set do Dj Mario Olimpio predomiu… nada, ele tocou uma lista eclética que ia do popular ao clássico, rolou lambadão, inclusive Raul Seixas. Em seguida Fabricio Chabô tocou um eletro rock psicodelirante, imagens do gênio Hitchcock eram exibidas num telão, foi o passaporte pro público viajar.

A proposta de ensaio aberto aceita por Billy Brown e o Incrível Magro de Bigodes, e Cacarecos e Musiquetas foi outro fator que alterou toda a equação de status de uma festa. Era como se tivesse uma banda ensaiando na sua sala, enquanto BBIMB fazia um som com apenas guitarra e batera, suprindo com exatidão as freqüências de um baixo tal qual White Stripes. Caio Mattoso dava vazão às suas piras em um “cavalo louco”, como definiu Eduardo Ferreira.

Almerinda George Lowsbi foi a principal presença do evento, interagindo com o público daquela sua forma peculiar. Aproveitou para divulgar o seu programa “Na Cama com Almerinda” que estreou nesta segunda-feira.

A exposição de fotografia do Heitor foi uma das coisas mais comentadas, afinal a luz vermelha que remetia uma sala de revelação deu um clima, e suas fotos foram tidas como o foco mais conceitual da balada que resolveu por fim quebrar o padrão e ir contra fluxo total.

Te esperamos na próxima Cinéfila,
cada vez dando mais certo.

Clique na foto da ilustração e acesse as fotos do evento cultural.

Anúncios

#URGENTE: Almerinda divulga em seu tumblr que fará um lançamento exclusivo de seu programa hoje na Cinéfila!

18 de fevereiro de 2011 by

Gente, o Cinéfila hoje vai ser demais. Uma balada cinematográfica feita pelo Cellula. Só gente bonita e inteligente. Como sou rica não poderia ficar de fora. Vou fazer um Stand-up e depois vamos lançar meu programa para poucos e bons. Silval, Roseli, Chica, Blairo e Ralf já garantiram a presença. Como é bom ter amigos.

Post by: @almerindanacama

pelo visto o trem vai ser bom mesmo.

17 de fevereiro de 2011 by

Cinéfila a balada cinematográfica enquadra ensaio aberto e foca artes integradas!

16 de fevereiro de 2011 by

Na sexta, 18, na @CasaforadoEixo, uma balada cinematográfica promete esquentar a noite cuiabana, Cinéfila é um evento organizado pelo Coletivo Cellula, tem inicio as 22h.

No menu devem constar as discotecagens da primeira playlist de @MarioOlimpio e @FabrícioChabô, o diferencial dessa festa será justamente durante a atuação dos DJs, fragmentos do cinema local serão projetados, aumentando ainda o grau de psicodelia de Cinefila.

Além das discotecagens o evento mostrará um stand up com Almerinda, personagem de André D’Lucca, ensaio aberto de Os Viralastas e Cacarecos e Musiquetas, exposição de fotografias do @Htor_ , e ainda a estréia da banda Billy Brow e o Incrível Magro de Bigodes, formada ainda no ano passado,  a formação do grupo se dá apenas com dois integrantes, Caio Scholesser, ex-Lord Crossroad na guitarra e Lucas Gorduraz (@akagorduraz) na bateria.

Cellula pulsando a 200 km/h.

8 de fevereiro de 2011 by

Obedecendo a única lei que o Coletivo Cellula conhece, a lei que proíbe a inércia, estamos no 220V para produzir audiovisual em hell city, nesse exato momento quebrando a cabeça e montando os quebra-cabeças para inscrever dois projetos no edital da secretaria de cultura estadual.

O primeiro é o progressista Cine Lab, que visa popularizar o cinema na baixada cuiabana e no estado, o projeto deve ser o prato principal para o fomento e formação no cinema e vídeo servido pela Cellula nesse 2011.

O segundo é o curta “De Quem é a culpa”, roteiro e direção de @FabricioChabo, uma viagem que visita Sartre, e discute preconceitos e responsabilidades, a promessa de um bom filme deixa a inércia  inerte?!

Outra novidade deve ser os cartões personalizados, serão a mídia rápida do coletivo Cellula, agora nossa doença também será espalhada em papel reciclatto de 4cm por 8cm.

ps: assista o vídeo feito semana passada da música de @Caiooomattoso e captação de @Cajulina


Carta de agradecimento equipe colaborativa do Curta “Oliteralmente”

21 de janeiro de 2011 by

É com entusiasmo que venho por meio deste, trazer notícias sobre a fase de pós produção finalização – tratamento de imagens e composição da trilha sonora do Curta metragem “Oliteralmente”, com o filme já montado, cortado e costurado, beirando a linha dos 11 minutos e 33 segundos, agora chega a hora duma parte minuciosa que exige dos músicos sensibilidade extrema, quase que cirúrgica para encaixar a emoção exata para cada cena, cada corte, cada suspiro. É a psicologia do ritmo sonoro, aquele que quando coliga com a imagem transforma-se em sétima arte… o áudio, a sonoplastia os ruídos! Um grande potencial na edição e construção de uma obra prima. 

Com isso, nós da Cellula, o que temos a fazer agora é agradecer, a cada única pessoa que participou desse processo suado, trabalhoso, árduo, porém gratificante com a gente! Todos os apoiadores, colaboradores, a equipe inteira, que acreditou e fez acontecer! Desde o Marcelo Biss e a Barbarela, até a Fábrika, nossos pais, o coletivo juntos somos fortes, as lojas que emprestaram figurinos e objetos de cena, os figurantes, os personagens, os responsáveis pelas locações, o editor (Sergião), até os funcionários do lixão, enfim. Todos que de alguma forma fizeram parte dessa história.

Como núcleo Cellula, saímos desta missão mais ricos, não em dinheiro, pois se não fosse a força de trabalho de vocês não conseguiríamos atingir nossas metas, mas sim ricos de estímulo e com a certeza de que vamos continuar produzindo muito, e democratizando nossa arte até o fim, nossa forma de pensar-agir, com o otimismo implícito na obra, de que a realidade é absurda e precisamos jogar com ela, se ficarmos aqui parados nada, nunca, vai mudar.



Programamos finalizar por completo a obra ainda em janeiro, e faremos o lançamento em fevereiro. Antes disso,
vamos agendar uma reunião com a equipe inteira para todos assistirem e darem suas opiniões. A trilha sonora está sendo composta pelo Mayconn Rodrigo, Caio Mattoso, Eduardo Ferreira, Danilo Fochesatto e Fabrício Chabô.

Em breve mais notícias.

Em breve um novo roteiro pra colocarmos a mão na massa. hehe

post by @Cajulina.

Feliz é o ano que começa dando bons resultados.

9 de janeiro de 2011 by

Depois de um ano todo de consolidação do núcleo através de muito trabalho, produções de curtas metragens e vídeos, oficinas de roteiro em escolas públicas, mostras de cinema independente, baladas cinematográficas, articulações em políticas públicas e dentro da universidade federal e, troca de experiências com os gurus na atividade cultural/social, a Cellula suou e se empenhou, e não é surpresa pra ninguém que isso a tornou uma força potencial para as ações audiovisuais em Cuiabá neste ano.

Não é atoa que já no primeiro mês vamos lançar nosso primeiro trabalho realizado em conjunto com a produtora Biss Filmes & Coisas, #Oliteralmente foi o segundo curta metragem assinado pela Cellula (que com apenas um ano de vida, já mostrou que não brinca de em serviço), e é com satisfação que anunciamos a fase da montagem do filme, essa semana Felippy Damian e eu (Giulia), estamos acompanhando passo a passo essa pós-produção, que a propósito, será totalmente autoral, matéria prima do cinema matogrossense.

Bom,
esse post foi só pra anunciar que em breve,
muito em breve,
coisa nova e boa no cinema vem por aí.
(e esse ano promete muito mais, anotem isto.)

O cartaz é apenas uma prévia,
aceitamos críticas construtivas pra finalizarmos o oficial.

atenciosamente,
@Cajulina, produtora da Cellula

TOP 2O – Os melhores da década (05 ao 01)

31 de dezembro de 2010 by

boa tarde, nas últimas horas desta década, trago para vocês a conclusão do Top 20 – Melhores da década com
os cinco melhores filmes realizados nos últimos 10 anos, aqueles que por sua equipe técnica e maestria na direção trouxeram para o cinema peças que enriqueceram sua história e mercem entrar para a lista de qualquer apaixonado pela sétima arte. vamos à eles.

05 : There will be Blood (Sangue Negro) – (2007) – Paul Thomas Anderson


Paul Thomas Anderson ficou conhecido no mundo pela qualidade em suas obras, se este top 20 não fosse restrito apenas à esta década, poderiamos incluir Magnólia de 1999 na lista fácilmente, seja pelo primoso trabalho do elenco, pelo enredo complexo, pela direção fantástica, ou apenas por sua singularidade, mas estamos falando de “There Will be Blood”. Daniel Day Lewis (The Ballad of Jack & Rose, Gangs of New York) é Daniel Plainview, um homem que se torna rico ao descobrir petróleo, e junto de seu filho adotivo resolve que não é o suficiente. Obstinado a conquistar todos os poços de petróleo que um homem pode ter, Daniel encontra apenas um obstáculo, Eli (Paul Dano – Little Miss Sunshine, Fast Food Nation) um jovem pastor que é dono das terras que faltam para que Daniel tenha total controle dos poços de petróleo norte americanos. Entramos então numa rixa enorme que traz à tona a ganância e a busca por poder que está no âmago do ser humano. Com uma fotografia, ambientação e figurino impecável, só resta a Day lewis e Dano comandarem o espetáculo com a suas atuações primorosas ao lado da direção de Thomas Anderson, atuação que rendeu a Day lewis o oscar de melhor ator em 2007.

04: Atonement (Desejo & Reparação) – (2007) – Joe Wright


Crianças falam as coisas sem pudor, sem medo, e sem delongas. Que elas são verdadeiras no que dizem é fato, porém nem sempre elas sabem de todos os fatos que envolvem sua afirmativa. Briony Tallis (Saoirse Ronan) é uma menina de 13 anos extremamente inventiva, criativa e inteligente, que está escrevendo sua primeira peça para presentear seu irmão que está chegando para encontrar a família na casa de verão no dia mais quente do ano. Todos estão presentes, sua tia, seus primos, sua irma Cecille Tallis (Keira Knightley – Pirates of Carribean, Domino) e até o filho da governanta, o jovem Robbie Turner (James Mcavoy – Wanted, The last Station) que morre de amores por Cecille. Tudo parece certo até que Briony acusa Robbie e Cecille de algo que eles não são culpados e isso irá mudar eternamente a vida dos três envolvidos. Dirigido por Joe Wright, Atonement é de uma beleza ímpar, a trilha sonora, casando com os efeitos sonoros executados durante o filme, evocam uma atmosfera única, que embala o deprimente desfecho dessa história desgraçada pelas palavras de uma criança. Detalhe para os figurinos e ambientações maravilhosas que enchem os olhos. Baseado no livro homônimo de Ian McEvan, e adaptado para as telas por Christopher Hampton, Atonement chega a ultrapassar as emoções expressas no livro, que nem mesmo McEvan poderia calcular. Acusado de ter um ritmo extremamente lento, Atonement prova que tem o ritmo perfeito para acompanhar sua narrativa, dando ênfase aos grandes planos e takes demorados que permitem ao espectador apreciar todo o trabalho de arte criado pela fantástica equipe técnica. Se o desfecho de Romeu e Julieta lhe soou trágico, Atonement irá lhe surpreender.

03: A Single Man (Direito de Amar) – (2010) – Tom Ford

Como seria acompanhar o dia mais decisivo na vida de um homem por seus próprios Olhos? Colin Firth (Dorian Gray, Genova) é George, um professor que vive sozinho em sua enorme casa de vidro após a perda de seu companheiro e seus dois cachorros em um terrível acidente de carro. Sem seus alicerces, george busca apoio em sua Amiga Charley (Julian Moore – Boogie Nights, Hannibal) uma linda mulher abandonada por seu filho e seu marido em uma maravilhosa casa. Os dois parecem perdidos, mas Charley está mais acomodada de George. Ele não suporta mais, ele não dá mais conta e não consegue ver em sua frente nada que o faça seguir adiante, e hoje é o dia em que ele vai decidir o rumo de sua vida. Somos então levados por Tom ford, estilista e diretor estreante ao dia mais importante da vida de George por seus próprios olhos. A delicadeza do filme se deve totalmente ao fato da fotografia acompanhar as emoções sentidas por George. Adaptando muito bem o livro de Christopher Isherwood, Tom Ford consegue se firmar no cinema com sua primeira peça, um filme extremamente visual que como já disse antes , deve ser sentido.

02: Inception (A Origem) – (2010) – Christopher Nolan

Christopher Nolan sempre foi impecável, seus roteiros sempre foram redondos, com um final surpreendente de forma que nem mesmo Shyamalan foi capaz de recriar depois de seu sucesso em Sexto Sentido, mas Inception leva Nolan a um nível completamente diferente. O filme retrata a história de extratores de sonhos, pessoas que conseguem acessar a mente de alguém dormindo, retirar um objeto, uma informação ou uma idéia, sem que a pessoa perceba o que está acontecendo. Tudo muda quando o grupo então é confrontado a inserir uma idéia na mente de alguém. Cobb (Leonardo DiCaprio – Shutter Island, The Beach) aceita relutante e leva seu grupo dentro da mente de um homem, levando consigo suas imperfeições, seus medos, colocando o grupo inteiro em risco. Nolan consegue o praticamente impossível, tornar um filme de ação, um blockbuster, em um filme com um conteúdo extremamente profundo, com uma mensagem por trás de cada cena, e um visual de encher a mente. Com um final tão supreendente quanto The Prestige do mesmo diretor, Inception é redondo, perfeito, sem falhas, sem pontas soltas e com um roteiro que se sustenta, seja por sua perfeição, seja pela direção, ou pela atmosfera dos sonhos tão bem criada e explicada durante o filme. Você pode terminar o filme com algumas dúvidas, pois este filme é um daqueles que você não pode sequer piscar, mas todas as respostas estão ali, é só ver atentamente e prestar atenção em cada diálogo, memorável peça cinematográfica, que com certeza levará para casa alguns oscars entre outros premios, pois o mundo já aprovou, Inception é Genial.

01: The Fall (Dublê de Anjo) – (2007) – Tarsem

Fica difícil falar de um filme quando ele é tão perfeito que tudo que for escrito soa insuficiente. Dois enfermos acabam cruzando suas vidas em um hospital quando tudo parece extremamente entediante. Alexandria (Catinca Untaru)é uma menina de nove anos que por acaso acaba entrando no quarto de Roy (Lee Pace – The White Countess) , um dublê que se acidentou em seu último trabalho. Roy, para entreter a garota, e tirá-la da atmosfera morinbunda que os cerca, resolve contar uma história fantástica que toma vida na mente da garota, e nos leva para um universo nunca antes imaginado. Tarsem já havia se tornado conhecido por seu visual impecável em A cela, filme de estréia de 1999 com Jennifer Lopez, porém é em The Fall que ele enriquece sua técnica. Fotografia, figurino, trilha sonora, ambientação, efeitos especiais, efeitos sonoros, atuação, enredo, direção de elenco, o filme é simplesmente impecávelm em todos os quesitos, e lembram aos amantes do cinema o que é fazer cinema por cinema, e traz à superfície toda a magia que envolve o “trabalhar no cinema” filme impecável, único e inesquecível, de longe, o melhor  já feito nos últimos 10 anos.

é isso, mais uma década de inicia, e que outras obras tão boas quanto essas 20 aqui descritas apareçam, um feliz ano novo à todos, e principalmente para o cinema!

Thales de Mendonça

TOP 20 – Melhores da Década (10 ao 06)

17 de dezembro de 2010 by

Bom dia, e vamos continuar com nossa pequena maratona, listando agora os filmes que ocupam do 10º ao 6º lugar. Tenho recebido comentários interessantes à respeito da lista, é a proposta é essa, se vocês não concordam com o que está escrito, sintam-se à vontade para dizer, vamos lá.

10: Kill Bill Vol. 1-2 (2003- 2004) – Quentin Tarantino

Quentin Tarantino é o tipo de diretor que você ou ama intensamente, ou não gosta, mas ninguém pode reclamar da qualidade e genialidade de seus filmes. Seu filme de estréia tem um roteiro tão bem criado que impressionou o mundo inteiro com a história de um grupo de assassinos dentro de um galpão. Reservoir Dogs ainda é considerado o melhor dele, mas infelizmente não faz parte desta década. Muitos vão lembrar de Inglorious Basterds e sua qualidade, porém Kill Bill é o filme em que ele conseguiu juntar elementos sem virar uma farofa horrorosa. Quentin sempre foi fã dos filmes de Kurosawa, das animações japonesas, dos quadrinhos, dos gansters, do texas, dos filmes de kung fu, das mulheres e da Uma Thurman. Kill Bill é uma mistura de tudo isso, com uma história de vingança sobre um acontecimento tão intenso que não tem como você não odiar Bill. Ele pegou seu grupo de assassinos e invadiu um casamento, matou os 8 presentes, e deixou a noiva em coma, mesmo ela estando grávida. Ela (Uma Thurman – Pulp Fiction, Batman & Robin), a noiva, acorda anos depois em um hospital, sem sua filha e sem sua vida, e resolve ir atrás de todos aqueles que destruiram sua felicidade, e atrás de Bill. Exatamente por ser um Tarantino, a direção é fantástica, seja pelos planos saídos diretamente dos quadrinhos, seja por seus diálogos que o tornou reconhecido, seja pela trilha sonora extremamente bem selecionada ou pelas cenas de luta de tirar o fôlego que são um Ode aos filmes do gênero, Kill Bill é um prato cheio pra quem gosta de cinema.

9: Wall-E (2008) – Andrew Stanton

Alguns podem estranhar uma animação no meio de tantos filmes, até pensei primeiramente em listar as 20 melhores animações da década, já que Valsa com Bashir, Persépolis, Up, Tekkonkinkreet, entre outras, também merecem seu espaço, mas Wall-E, diferente de todas essas merce sim, estar entre os 10 melhores FILMES da década.
Depois que o Planeta terra virou um enorme amontoado de lixo, os seres humanos resolveram partir para uma enorme nave-colônia e deixar pequenos robôs de limpeza compactando e empilhando o lixo da terra. Aos poucos, os robôs vão estragando suas peças e perdendo sua funcionalidade, menos um deles. Da marca Wall-E , este pequeno robô aprendeu que quando suas peças quebram, ele pode trocá-las por outras que estejam funcionando, e sozinho ele continua seu trabalho em empilhar o lixo da terra, não totalmente sozinho, ele está acompanhado de uma pequena baratinha companheira.
A vida do pequeno robô muda quando EVE, uma máquina de reconhecimento desce no planeta terra para uma missão ainda desconhecida. Wall-E então se apaixona perdidamente por ela, e está disposto a abandonar sua vida e rumar para o espaço para estar com ela. A história parece simples, um tanto quanto clichê, isso se ela não tivesse praticamente nenhuma fala. Os robôs emitem sons e tem pequenos traços de expressão que conduzem a matiz do filme inteiro, trazendo à tona os sentimentos mais primitivos de afeição e carinho dos expectadores. A trilha sonora, casada com os rúidos emitidos pelos vários robôs que aparecem durante o filme casam com perfeição e trilham um caminho cheio de sucesso de uma animação delicada e que precisa ser sentida. Não existem palavras que definam este filme tão bem quanto os olhos sonhadores de Wall-E e seu sussurro mecânico chamando por sua amada.

8: Little Miss Sunshine (Pequena Miss Sunshine) –  (2006) – Jonathan Dayton, Valerie Faris

Se existe uma família de desajustados extremamente real, é a familia de Little Miss Sunshine. O pai, Richard (Greg Kinnear – W were Soldiers), é um derrotado que dá palestras sobre como ser um vencedor.  A mãe, Sheryl ( Toni Collete – The sixt Sense), uma professora sofrida que não tem força de vontade nem para largar o vício do cigarro, que o marido considera vício de derrotados. O Filho mais velho, Dwayne (Paul Dano – There Will be Blood), é um garoto problemático que como sempre se sente na família errada e tem como único objetivo passar na escola de aviação e por isso, fez um voto de silêncio. O Patriarca, Edwin (Alan Arkin – Blank) é um viciado em heroína que só tem olhos para sua neta, Olive (Abigail Breslin – Sign), uma menina que foge dos padrões de beleza norte americano, mas que quer imensamente participar do concurso Little miss Sunshine, um concurso de beleza para pequenas misses. O tio, Frank (Steve Carrel – 40 Year Old Virgin) é um professor homossexual que estava internado por ter tentado suicídio, e recebe alta quando a família recebe a notícia de que a ganhadora do concurso está impossibilitada de ir e Olive é a segunda colocada, e deve ir no lugar. A família então resolve levar a menina, mas todos devem ir juntos, dentro da velha Kombi e então toda a complexidade dos personagens vem à tona. Enclausurados dentro do veículo, cruzando o estado, a família tenta interagir, tenta se mostrar família, como nunca foram antes, pela felicidade da pequena garota, e os problemas e conflitos surgem como é normal acontecer em toda reunião de família. Little Miss Sunshine é um ensinamento sobre o ser família. À medida que acompanhamos os Hoover em sua jornada, vemos neles, os membros da nossa família, com um roteiro maravilhoso dirigido fantasticamente por Dayton e Faris. é quando eles crescem como pessoas que eles crescem como família e só crescem como família pois expõem suas diferenças, diferenças essas que os fazem personagem tão especiais. Em dado momento do filme, Richard vira para todos e diz “ok, por favor, finjam ser normais” pois é isso que o filme quer transmitir, seja normal na frente dos outros, se quiser, mas com a sua família você deve ser quem quiser, nem que que seja uma pequena miss sunshine.

7: Irréversible (Irreversível) – (2002) – Gaspar Noé

O tempo arruína tudo. Com essa premissa, Noé nos transporta por uma jornada por uma noite de três amigos. Forte, impactante e extremamente denso, Irreversível é um filme que nos deixa com a sensação de que a vida é ordinária e que um simples acontecimento, com o tempo pode levar tudo à ruína. A fotografia, crua, escura, a câmera frenética e precisa, focando aquilo que é necessário, acompanhando os movimentos da noite, nos transporta para o drama de três pessoas que são meros fantoches do tempo. Irreversível tem um nível de crueldade e violência que alguns julgam desnecessária, mas não passa de um nível de realidade, inteiramente necessário para firmar a narrativa, ele deve ser assistido pois é cinema arte, tão cruel e realista quanto Claudio Assis e seu Baixio das Bestas. O tempo arruína tudo, e é irreversível.Grave isso em sua retina com as cenas deste filme que causa asco e fascinação.

6: Where the Wild Things Are (Onde vivem os Monstros) – (2009) – Spike Jonze

“Existe um dentro de todos nós”. Max é um garoto extremamente inventivo, como qualquer outra criança. Quando sua mãe coloca ele de castigo por destruir o quarto da sua irmã, que não lhe deu atenção por ser pequeno demais, max resolve então fazer birra e chamar atenção. Quando confrontado pela autoridade de sua mãe, max foge e com um pequeno barco, atravessa para um mundo onde se torna rei de vários monstros, cada um com características específicas, todas elas pequenas facetas do próprio Max. Como rei ele deve comandar esses monstros e mostrar para eles o que se deve ou não fazer, e é claro, controlar seus ímpetos pois neste mundo, ele não é a criança, ele é o chefe de todas elas. No momento em que max (Max Records) desce no mundo criado nos livros por Maurice Sendak, descemos juntos dentro da nossa infância. Assim como o livro, o filme é atemporal, e lida com fatores da personalidade  que todos que cresceram e amadureceram tiveram com que lidar, na medida que max aprende, reaprendemos lições básicas, porém profundas, que só causa o efeito desejado pois Spike Jonze soube como ninguém conduzir essa história. Com uma trilha sonora toda feita por crianças e a mulher do diretor, risos, gritaria e algazarra embalam as brincadeiras e lições passadas no filme. Duas vezes tendo seu lançamento adiado pelo estúdio, Were the Wild things Are quase não foi aos cinemas, pois foi taxado de “filme sobre uma criança estranha para adultos que foram crianças estranhas”. De fato, o filme não é tanto para as crianças, essas se deliciarão com as brincadeiras e as lições, porém a viagem vale mais para aqueles que há muito haviam esquecido como é ser criança.

Impossível agradar à gregos e troianos, porém acredito que cada filme aqui presente merece seu posto.
Por estar viajando posso demorar para trazer os primeiros cinco filmes do top 20 – melhores da década por Thales de
Mendonça.

Até a próxima.


TOP 20 – Melhores da Década – (15 ao 11)

16 de dezembro de 2010 by

Continuando com nossa trajetória pelo mundo do cinema, venho listar aqui mais cinco filmes do nosso TOP 20 – Melhores da década, dessa vez listarei do 15º ao 11º filme, sem mais delongas, vamos à eles.

15: La Mala Educación (Má educação) – (2004) – Pedro Almodòvar

Simplesmente o melhor almodòvar. Apesar do grande público considerar “Hable con ella” a melhor peça, La Mala Educacíon tem o melhor que o diretor já pode extrair de si, o humor rápido, os diálogos dinâmicos, o roteiro complexo e bem amarrado, a atuação maestral de Gael Garcia Bernal (Y tu mama tambén, Amores Perros) e é claro, as cores e ambientações de almodóvar. O diretor consegue distribuir neste trabalho tudo aquilo pelo qual se tornou famoso no mundo e nos contar a instigante história que até hoje não foi confirmada se trata-se ou não, de passagens de sua própria vida.  Criticando a Igreja e os colégios tradicionais com sutileza, Almodóvar conta a história de dois meninos que estudam em um colégio católico dos anos 60 e conhecem juntos o amor e o medo nas mãos do Padre Manolo, e 30 anos depois acabam cruzando suas vidas novamente. Brincando com a metafilmagem, a trama de almodóvar, com ajuda da direção de arte de Antxón Gómez, o figurino de Paco Delgado e Jean-Paul Gaultier,  se enrosca e enrosca o espectador junto, deixando você fascinado e confuso, e o final vale a história.

14: 3:10 To Yuma (Os Indomáveis) – (2007) – James Mangold

Um homem de família, um bandido, um trem, e um Western tão bom quanto os feitos antigamente por Sergio Leone. Christian Bale (American Psycho, Equilibrium) é Dan Evans, um homem ferido nas guerras do sul que tem uma dívida com o chefe da cidade. Quando seu celeiro é queimado e sua família é ameaçada, Dan sente que em breve terá que tomar uma decisão, e é quando o bando de Ben wade (Russel Crowe – Gladiator, State of Play), o bandido mais procurado por aquelas bandas aparece. Por obras do destino, Ben Wade acaba sendo caputrado e eles precisam de bons homens que o escoltem até o trem das 3:10 do dia seguinte, que parte para a Prisão de Yuma, e é então que Dan vê a oportunidade de salvar sua família de sua dívida e se dispõe a levá-lo. Com o bando na cola deles, os indíos dominando as terras em volta, e a presença do próprio Ben Wade no meio do grupo, a missão parece estar fadada a dar errado, mas é aí que ela vence. A relação do bom homem e do bandido malvado é dirigida com maestria por James Mangold e conduzida com uma beleza ímpar por Bale e Crowe. Crowe é Ben Wade, seu olhar e sua pistola fascinam, a mais rápida e fatal do oeste. Bale com seu olhar e suas falas perfeitamente pausadas, passam um desespero que só um pai de família na beira do abismo seria capaz de passar, ele precisa salvar sua família, sua dignidade, e provar para seu filho, que sorrateiramente acabou fazendo parte da escolta, que ele não é o homem fraco e submisso que o menino acha que é. Uma história linda, numa ambientação fantástica, trilha sonora perfeita e cenas de ações de tirar o fôlego. 3:10 to Yuma é como todos os Westerns deveriam ser.

13: Antichrist (Anticristo) – (2009) – Lars Von Trier

Um casal transa enquanto seu bebê acidentalmente cai da janela do apartamento.  Devastados, a mãe e o pai (no filme chamados apenas de she e he, interpretados por Charlotte Gainsbourg – The science of sleep, e Williem Dafoe – The Boondock Saints) tentam superar o trauma juntos. Ele, psicólogo, percebe que ela não está conseguindo superar a culpa e decide tratá-la. Instigando ela a expor seus medos, ele acaba trazendo à tona o pavor dela por  uma cabana na floresta que é propriedade do casal e ele decide levá-la até lá, e na cabana que o filme realmente começa.  É no meio da floresta, em contato com a natureza, isolados do mundo, que ela começa a externar seus medos, suas aflições, sua culpa e sua angústia, e Lars von trier consegue jogar na tela esse turbilhão de sentimentos em cenas que causaram controvérsias no mundo inteiro. Em sua primeira exibição, metade dos espectadores saíram dizendo que era a maior merda já feita no cinema enquanto a outra metade aplaudiu como a obra de arte que Antichrist é. Charlotte tem um semblante introspectivo que muda para o caótico em questão de poucas cenas, no momento em que ela pisa na grama e olha a a cabana, sua crise atinge outro nível, sua atuação choca tanto quanto as cenas apresentadas no filme, e Dafoe não fica para trás, asissta, aplauda ou se odeie eternamente por ter assistido, Antichrist será sempre uma obra que causará um turbilhão tão grande de emoções e sentimentos, que fica difícil chegar uma conclusão clara no final de sua exibição.

12 : No Country for old men (Onde os Fracos não tem vez) – (2007) – Joel & Ethan Cohen


 

Baseado no romance escrito Cormac McCarthy, No Country for old men é um filme denso e realmente não é para fracos. O veterano do vietnam Llewelyn Moss (Josh Brolin – Milk, Honah Hex) está no deserto quando se depara com uma verdadeira chacina e junto dela, uma mala de heroína e uma com dois milhões de dólares. Pegando a mala de dinheiro para si, Llewelyn não sabia que iria colocar em sua cola, o assassino Anton Chigurh (Javier Bardem – Goya´s Ghosts, Carne trêmula), silencioso, cruel e obstinado, munido de uma arma um tanto incomum, Anton não irá parar enquanto não reaver o dinheiro e eliminar qualquer impecilho em seu caminho. A chacina e os demais corpos que vão surgindo por onde Anton passa, chama a atenção do xerife prestes a se aposentar Ed Tom Bell (Tommy Lee Jhones – Natural Born Killers, MIB I & II) que também está no encalço de Llewelyn. Indicado a 8 oscars, e vencedor de 4, incluindo o de melhor filme, No country for old men é extremamente angustiante e mantém o espectador apreensivo durante toda sua duração. Os irmãos Cohen, reconhecidos mundialmente pela qualidade em seu trabalho, não deixam a desejar neste filme impressionante, seja por seus personagens extremamente reais, seja pela atmosfera que os cerca.

 

11: Låt den rätte komma in (Deixe ela Entrar) – (2008) – Tomas Alfredson

Esqueça os que brilham, ou os que são caçadores de sua própria raça, Låt den rätte komma in é o melhor filme de vampiro da década sem sombra de dúvida. Insipirado no romance homônimo escrito pelo próprio roteirista do filme, John Ajvide Lindqvist, o filme foi delicadamente construido, desde a escolha do elenco, que para selecionar os duas crianças principais demorou cerca de um ano e meio, até a seleção das cores das vestimentas utilizadas por cada personagem. O texto, muito ambíguo e cheio de metáforas é um dos roteiros mais bem adaptados dos últimos anos. A história narra a relação entre duas crianças nos subúrbios de Stocolmo em meados dos anos 80. Oskar (Kare Hedebrant) é um menino introspectivo, calado, inteligente e que sofre Bullying em sua escola. Sem amigos, Oskar passa a maior parte dos seu dia no parque congelado pela neve em frente de casa, e é neste mesmo parque que ele conhece Eli (Lina Leanderson), e automaticamente viram amigos. Eli é um personagem extremamente misterioso, vive sozinho com seu pai e só sai à noite, é pálido, mas nada fora do normal já que estamos falando da Suécia.  A relação construida pelos dois é extremamente delicada e frágil, mas que aos poucos vai se consolidando, principalmente depois que Oskar descobre que está se tornando amigo de um vampiro.  Ganhando 52 prêmios em festivais e um contrato para um remake norte americano antes mesmo de lançar oficialmente nos cinemas da própria Suécia, Tomas impressionou o mundo com sua película. Diferente da carnificina explícita que estamos acostumados a encontrar nos filmes do gênero, este é singular em suas cenas que não mostram mais do que o necessário. O pânico e o pavor se dá exatamente por tudo aquilo que não se consegue ver, e Tomas se aproveita do fato de que o que imaginamos é sempre pior do que realmente está acontecendo para gravar na nossa mente cenas que soam, pelo menos pelos barulhos, horripilantes.

 

That´s all Folks!

por hoje, é claro.
Logo chegaremos a segunda etapa do Top 20 e entraremos nos 10 primeiros melhores da década.

 

Thales de Mendonça.