TOP 20 – Melhores da Década – (20 ao 16)

by

O cinema nada mais é do que uma enorme célula que nos últimos 100 anos se reinventa e se transforma acompanhando a história, a política, e a mente da sociedade. Dentre os zilhões de filmes que existem pelo mundo, sempre existem aqueles que se destacam e se tornam memoráveis, filmes que exigem daqueles que o fazem, um trabalho hercúleo para que em um minuto de falas e gestos, pessoas possam se comover e absorver a mensagem que eles querem transmitir.

Alguns trabalhos, quando avaliados, seja por sua singularidade técnica, seja por sua delicadeza, acabam sendo considerados os “melhores”, de seu gênero, de seu país, ou do ano em que foi lançado.
Como uma Maneira de prestigiar aqueles que se destacaram nos últimos dez anos, farei aqui uma lista dos 20 Melhores filmes da Década (2000 – 2010). Na lista abaixo teremos um compilado dos 5 últimos filmes da lista de filmes que, mesmo nem todos terem chegado ao conhecimento do grande público, causaram fascinação nos amantes da sétima arte, ou pelo menos em mim.

20 : Hard Candy (Menina má Ponto Com) – 2005 – David Slate

Quando pensei nesta lista, sabia que Hard Candy definitivamente deveria estar nela. O filme veio para o Brasil com um nome ridículo, com uma proposta de filme de terror (os posters vinculados lembravam muito “medopontocom” assim como o nome) e ficando pouquíssimo tempo nas salas de cinema.

Hayley Stark (Ellen Page – Whip it, Juno) tem um caso virtual com “lensman32” , a identidade secreta de Jeff Kohlver (Patrick Wilson – Watchmen, Little Children) , um fotógrafo de 32 anos que mora sozinho em sua casa-estúdio.
Hayley, de 14, propõe um encontro e Jeff resolve aceitar, mas as intenções da menina são completamente distoantes das de Jeff.
A fotografia é o grande dierencial do filme. Os planos parados se casam com as cenas movimentadas graças à fantástica fotografia do filme, que trabalha com cores que definem bem a tensão e as emoções presentes em cena. A frieza dos personagens é claramente marcada pelo branco e cinza e a luz baixa que vem por detrás das persianas, meticulosamente fechadas para esconder o que se passa dentro da casa.  Brian Nelson criou um roteiro fantástico, que te mantém preso na tela e suando frio a cada passar dos minutos. O filme decorre inteiramente dentro da casa e roteiro sustenta seu único cenário como poucos fizeram. Ellen Page está fantástica em seu papel, uma Anita de Manoel Carlos, sensual, delicada e cruel, a comparação chega a ser pouco pois Hayley é muito mais cruel do que Anita jamais foi. Patrick Wilson dispensa comentários,  sua atuação é perfeita, não se consegue extrair nada de sua face, não se sabe se ele está mentindo ou falando verdade, se é uma vítima da situação ou se está pagando por seus pecados.

 

19 : Jarhead (Soldado Anônimo) – 2005 – Sam Mendes


Jarhead traz para as telas a história de Anthony Swofford (Jake Gylenhall – Donnie Darko, Brokeback Mountain), um jovem norte americano que se alista no exército e passa pelo treinamento de fuzileiro e vai para a Guerra no Kwait, em 1991. O filme é um dos poucos filmes de guerra que não temos mortes ou cenas épicas de trocas de tiro, e esse é seu grande diferencial. Em 1991, o exército americano foi ao Kwait e acabou não fazendo nada, para generalizar as coisas, e seus soldados voltaram para casa sem dar um único tiro, e é sobre isso que o filme trata, sobre a lavagem cerebral que os jovens americanos sofrem para se tornar fuzileiro e sedentos por guerra retornam à sua antiga vida completamente deslocados. A cada chamado para batalha, a cada momento de brincadeira, ficamos aguardando um ataque, um tiroteiro, algo que mude o marasmo do acampamento, marasmo este que deixa Anthony louco, e nós também. O suspense e a espera pelo sangue na tela que parece ser iminente nos deixa aflitos durante o decorrer do filme inteiro. Alguns podem citar “Guerra ao Terror” o mais novo filme de Katherin Bigelow, como tendo o mesmo viés, mas Guerra ao Terror não soa tão genial quando já se assistiu Jarhead.

18: Le scaphandre et le papillon (O escafândro e a Borboleta) – 2007 – Julian Schnabel

Esta obra de arte que adapta o livro do Jornalista e ex editor da Elle Francesa Jean-Dominique Bauby (Matthew Almaric – Quantum of Solace, Munich) é tipo de filme que só os franceses conseguiriam fazer, com sua pelicula cheia de sentimento . Jean-Do, como é chamado, sofre um derrame subitamente enquanto passeava com seu filho em seu carro conversível. Levado para um Hospital, Jean-Do descobre que está paralisado porém seus órgãos continuam funcionando, mas ele só pode mexer seus olhos. Com a ajuda de uma fonoaudiologista que tem como propósito criar uma maneira para que ele possa se comunicar com o mundo, Jean-Do aprende o alfabeto dos olhos, alfabeto que consiste em piscar o olho duas vezes quando a pessoa pronunciar a palavra que a pessoa deseja. Pode parecer um processo complexo de início, mas é com estes pequenos movimentos com o olho que ele escreve seu livro. O diretor Julian Schnabel consegue nos colocar dentro do escafandro em que Jean-Do vive, quando coloca sua câmera como a visão limitada e borrada do único olho bom do paciente, somos então obrigados a nos sentir enclausurados, mas assim como o protagonista e sua mente borboleta, transpomos a câmera e vamos além, sendo levados para longe do quarto do hospital.

17: Milk (2008) -Gus Van Sant

Como se Sean Penn (Mystic River, I am Sam) já não fosse motivo suficiente para assistir a um filme, temos Gus Van Sant (Good will Hunting , Finding Forrester) como diretor deste filme que emociona, sobre a tragetória de um homem que em apenas oito anos, mudou a história política dos Estados Unidos, Harvey Milk. Gus já havia provado sua qualidade como diretor em seus filmes anteriores, mas é com Milk que ele mostra todo seu potencial. O roteiro que traz para as telas as fitas da trajetória de Harvey Milk, a mescla os fatos reais e os romanceados e a direção de elenco que nos transporta de volta para aquela época, é um trabalho que simplesmente não pode ser ignorado.

16:  Requiem For a Dream (Réquiem para um Sonho) – (2000) – Darren Aronofsky

Ainda estudado e Muito discutido em alguns cursos de cinema, Requiem relata a história de quatro pessoas, e seus vícios e a estrada para o fundo do poço. Se você achou Trainspotting de Danny Boyle um filme difícil de se assistir, saiba que este é pior. A trajetória dos personagens nos leva por experiências extremamente degradantes, a fotografia, a dinâmica da câmera e a pesada trilha sonora, constroem um filme que dificilmente será esquecido por aqueles que o assistiram. Aronofsky criou tantas simbologias e montou o filme de forma tão peculiar, que as metáforas brotam na frente da tela. Atenção especial para a atuação de Ellen Burstyn, que concorreu ao Oscar de Melhor Atriz em 2001 por este filme. O choque entre a ilusão causada pelo vício e a realidade nunca foi tão bem descrito como no roteiro escrito por Hubert Selby Jr, baseado em seu livro homônimo.

 

Em breve os próximos 5 filmes.

Abraços!

Thales de Mendonça

 

 

2 Respostas to “TOP 20 – Melhores da Década – (20 ao 16)”

  1. Vitor Says:

    Cadê Lars von Trier? Fernando Meireles? Concordo que são bons, mas alguns dessa lista não configuram nem de perto o núcleo dos “melhores da década” -na minha opinião, é claro!

  2. Vitor Says:

    Calma, agora eu entendi. Essa lista é do 20 ao 16. Se for por ordem de qualidade deve vir muita coisa boa ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: